Barroco Brasileiro: Cultismo, Conceptismo e Gregório de Matos
Estilos do Barroco: Cultismo e Conceptismo
Cultismo: Caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta e bizarra (com exagero), como descrito acima. Valoriza os jogos de palavras (o chamado "Gongorismo verbal") e tem influência visível do poeta espanhol Luís de Góngora, razão pela qual esse estilo também é conhecido como "gongorismo". Nele, a forma se sobrepõe ao conteúdo, pois o importante é como se diz.
Conceptismo: Marcado pelo jogo de ideias e conceitos, pelo raciocínio lógico e pela retórica aprimorada (a arte de bem falar ou escrever, a fim de convencer e persuadir). Um dos principais representantes do conceptismo espanhol foi Francisco de Quevedo, de quem vem o termo "quevedismo". Neste estilo, valoriza-se o que se diz.
Origens e Características do Barroco
O Barroco foi uma tendência artística que se desenvolveu inicialmente na Itália, no século XVII, e depois se manifestou na arte, na literatura, no teatro e na música em outros países europeus.
Contexto Histórico
Contexto: Após o processo da Reforma religiosa, a Igreja Católica havia perdido muito espaço e poder. Mesmo assim, os católicos ainda influenciavam o cenário político, econômico e religioso da Europa. A arte barroca surgiu nesse contexto de contraste: uma espiritualidade e um teocentrismo da Idade Média convivendo com o racionalismo e o antropocentrismo do Renascimento. Os artistas barrocos foram patrocinados pelos monarcas, pela burguesia e pelo clero. Nas obras de pintura e escultura, as emoções são expressas em detalhes, retratando a vida e o ser humano.
Padre Antônio Vieira
Padre Antônio Vieira: Representante do conceptismo, o pregador português se opunha ao gongorismo. Joga com as ideias e os conceitos, seguindo os ensinamentos de retórica de dois jesuítas.
Gregório de Matos Guerra
Uma das principais referências da literatura barroca brasileira é Gregório de Matos Guerra, poeta baiano que cultivou com a mesma intensidade tanto o estilo cultista quanto o conceptista.
Na poesia lírica e religiosa, Gregório de Matos expressa, de certa forma, o idealismo renascentista ao lado do conflito (típico da época) entre o perdão e o pecado: busca a pureza da fé, mas, ao mesmo tempo, tem a necessidade de viver a vida mundana. Essa contradição situava o poeta na escola da perfeição barroca do Brasil. Mais tarde, quando participa do movimento nativista, ele separa o que é brasileiro da exploração de Lisboa.
Características da Poesia Barroca
Poesia lírica amorosa:
- O amor é fonte de prazer e de sofrimento.
- A mulher é retratada como um anjo e, ao mesmo tempo, como fonte de perdição (pois desperta desejo carnal).
Poesia religiosa:
- O eu lírico vive dividido entre pecado e virtude, sentindo culpa pelo pecado e buscando a salvação.
- O autor vê o pecado como erro humano, mas também como a única possibilidade de ato para que Deus conceda o perdão.
- O eu lírico, muitas vezes, comporta-se como um advogado que faz a própria defesa diante de Deus, recorrendo inclusive à Bíblia.
Poesia filosófica:
- Tom pessimista e angústia diante da efemeridade da vida.
- Temas como a fugacidade do mundo e a instabilidade dos bens materiais.